BIRIBIRI, Vila \'fantasma\' tombada em MG ganha novos moradores.

O primeiro som ao passar pelo portão da antiga indústria têxtil é o da nascente de água que brota da pedra. Ao se aproximar um pouco mais da Vila do Biribiri, a cerca de 10 quilômetros de Diamantina (MG), é possível escutar o ruído de um maquinário. São alguns homens trabalhando na reforma da parte interna de casas do vilarejo que ainda é considerado “fantasma”.
Com cerca de 30 moradias, uma igreja, uma escola e um clube desativados, o local – tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha) em 1998 – atualmente possui uma população que não passa de cinco pessoas; mas não por muito tempo. Os imóveis da vila estão à venda.
O espaço foi construído em 1876 por dom João Antônio dos Santos para abrigar os funcionários da fábrica de tecidos. O secretário de Cultura, Turismo e Patrimônio de Diamantina, Walter Júnior, conta que, à época, o bispo tinha como objetivo acolher mulheres pobres do Vale do Jequitinhonha.
“A luz de lá [Biribiri] era produzida lá, a luz da fábrica aqui da sede [em Diamantina] vinha de lá. E o lugar é muito bonito, realmente. Teve seu auge”, diz o secretário, referindo-se ao período anterior a 1972, quando a fábrica foi desativada. Desde aquele ano, a população da vila teve um acentuado processo de declínio, até o momento em que só restaram poucos moradores.

Adilson Costa é um deles. Funcionário da Estamparia S/A, empresa proprietária do vilarejo, ele é o zelador do local. Aos 36 anos, Costa compartilha o sossego com a esposa, a filha, o cachorro vira-lata e outras duas pessoas que moram por lá. “Nós ‘esconde’ (sic) aqui nesse fim de mundo”, revela em frente a sua casa, pintada de branco e azul, como todas as outras da vila.
Um dos vizinhos da família de Adilson é o Raimundo Geraldo Souza, mais conhecido como “Raimundo sem braço”, nome dado também ao restaurante que funciona em Biribiri há quatro anos. “A comida que eu mais vendo aqui hoje é o frango ao molho pardo. Já é tradição”, orgulha-se.

Vila à venda
Em pouco tempo, Adilson vai ganhar novos vizinhos e o restaurante de Raimundo, mais clientes. Em 2013, os imóveis da vila foram colocados à venda. Segundo o corretor responsável, Roosewelt Gonçalves, mais da metade das casas foram vendidas, e os compradores já fazem algumas adaptações.
O antigo pensionato, fechado há 41 anos, vai dar lugar a um grande hotel com mais de 50 quartos. Uma loja de artesanato vai ser montada no local onde funcionava uma barbearia. Além da igreja e do clube, que devem passar por uma reforma em breve, há também uma pousada que já está em funcionamento. E existe um projeto para transformar a fábrica desativada em um museu.
Álvaro Diniz, gerente da Estamparia S/A, garante que tudo está sendo feito de acordo com as normas estabelecidas pelo Iepha. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), entretanto, não enxerga da mesma forma. No último mês, o órgão expediu uma recomendação à empresa para que a Vila do Biribiri seja preservada, e que as modificações ou construções sejam suspensas.
“Estavam sendo planejadas alterações exteriores, por exemplo, derrubada de muros, emenda de casas, ampliações de construções, o que poderia descaracterizar o projeto arquitetônico, que é a razão do tombamento”, diz ao G1 o coordenador das Promotorias de Justiça de Meio Ambiente das Bacias dos Rios Jequitinhonha e Mucuri, Felipe Faria de Oliveira.

De acordo com o promotor, as vendas também estão sendo feitas de modo irregular. “A propriedade, o registro no cartório, conforme manda a legislação, está impedida por questões legais. Neste momento, a área não é desmembrada em unidades autônomas, individuais. Existem pendências no registro do imóvel. Atualmente, não é possível a pessoa fazer a compra da propriedade de cada uma daquelas casas. Ele está adquirindo só a posse, o direito de fazer o uso”, afirma.

Sobre as vendas, Álvaro Diniz diz que o contrato cita o tombamento da vila, e que a mesma só poderá sofrer modificações com a autorização do Iepha. Ele explica ainda que o morador que adquirir uma casa em Biribiri terá que seguir um regulamento de convivência, com uma série de obrigações.

O Iepha, por sua vez, informou que, em agosto de 2013, recebeu os primeiros projetos isolados de reforma. Segundo o instituto, as análises foram suspensas e os novos responsáveis pelas casas, notificados, para que as obras iniciadas sem autorização do órgão fossem paralisadas.

Ainda de acordo com o Iepha, foi solicitada para análise a elaboração de um projeto de urbanização, tendo em vista que o bem tombado é um conjunto arquitetônico-paisagístico, e não somente casas isoladas. Na última quinta-feira (3), o G1 visitou a Vila do Biribiri e observou que algumas casas passavam por reformas na parte interna.

Fonte: http://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2014/04/vila-fantasma-tombada-em-mg-ganha-novos-moradores.html

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