Rede Vale Circuito em Minas Gerais recebe o acompanhamento da Unisol Brasil

Mais um exemplo da agricultura familiar, aqui unida ao artesanato, que tem estruturado a vida de milhares de famílias é a região do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. Nela, 19 grupos de associações informais espalhados por 13 municípios mineiros compõem a Rede Vale Circuito, produtora de belíssimas peças manufaturadas e outros itens. Os produtos artesanais são vendidos inclusive em grandes redes de varejo e até exportados. Estas atividades se tornaram uma das principais fontes de geração de emprego e renda para centenas de famílias da região.

Em julho, Elis Ferrante, supervisora de projetos da Unisol Brasil, esteve na região, numa visita de planejamento dentro do convênio Projeto Redes, da Secretaria Nacional de Economia Solidária (SENAES) vinculado ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Ela foi acompanhada por Maris Stela Pires Lima, coordenadora regional de artesanato da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas (Emater) e gestora do Projeto de Artesanato no Vale do Jequitinhonha, e que tem o suporte de Cléa Venina, a coordenadora técnica estadual das áreas de Artesanato e Turismo rural da entidade.

O Projeto Redes oferece para estas comunidades o apoio na gestão, no desenvolvimento de técnicas de produção, de técnicas de design e de suporte à área comercial das comunidades. O melhor escoamento da produção, uma vez que alguns grupos estão longe de um centro urbano, é um dos desafios presentes e parcerias estão sendo discutidas para superar esta dificuldade. Este conjunto de ações vem dando impulso à Economia Solidária desta área, que é conhecida no turismo como ‘Circuito dos Diamantes’.

Ferrante esteve na Arte Couto, de produtos variados, na Estrela do Campo, comunidade de 65 famílias que trabalham o artesanato com o capim verde; na AGRIFAP, uma quitanda de pães artesanais, e na Arte Rural, comunidade que usa palha de milho para fabricar itens de decoração (a Tok Stok, conhecida cadeia de lojas de decoração em São Paulo, revende estas peças). Visitou ainda a loja central da Rede, na área do Mercado Velho, em Diamantina (MG).

O talento inato e as habilidades adquiridas destas comunidades chamam a atenção dos visitantes. Cores e formas saem de peças de capim dourado, capim barba de bode, palha de milho, fibra de coqueiro, e outras folhas, assim como peças em argila, bordados e cosméticos. Os grupos desta Rede receberam o direcionamento e orientações para criarem artigos com a identidade de produto regional, voltados ao comércio de turismo, valorizando estas matérias-primas.

Direcionado ao desenvolvimento e a consolidação de arranjos produtivos locais e a organização de pequenas associações comunitárias, o trabalho da Emater foi pioneiro e tem realizado treinamentos para o desenvolvimento e melhoria da qualidade de produtos, bem como o acesso a mercados, sempre ressaltando a importância do associativismo. Outros fatores relevantes são as peculiaridades e as tradições de cada município na exploração da atividade artesanal.

No Circuito dos Diamantes além de belas paisagens e muita história o local foi agraciado com o capim dourado, uma espécie de sempre-viva da família euriocaulaceae, e cujas as peças resultantes do seu trançado fazem sucesso no mercado de decoração. Na cidade de Presidente Kubitschek, o capim começou a se transformar em renda em 2007, quando uma das moradoras locais fez um curso de capacitação e revelou a cor e o brilho do capim dourado em diferentes itens. Curiosos, os vizinhos migraram para a atividade.

Em 2011, o grupo foi auxiliado pelo Sebrae, que implantou na comunidade o projeto ‘Artesanato de capim dourado’. “Trabalhamos em três eixos: associativismo, designer e gestão (formação de preços, por exemplo). Focamos (a presença) deles em feiras e, em cada uma, com linhas e designer diferentes. Paralelamente, desenvolvemos o cultivo do capim dourado, para evitar a extinção desta espécie”, disse Luciana Teixeira Silva, analista do Sebrae em Diamantina (MG).

Junto a Emater, as atividades contam com a participação da Secretaria de Desenvolvimento dos Vales do Jequitinhonha, Mucuri e Norte de Minas (Sedvan), do Instituto de Desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas Gerais (Idene), do Instituto Estadual de Florestas (IEF), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM). Também estão diretamente envolvidas no trabalho as prefeituras de Diamantina, Alvorada de Minas, Felício dos Santos, Santo Antônio do Itambé, Serro, Presidente Kubitschek, Datas, Gouveia, Monjolos, Couto de Magalhães, Rio Preto, Rio Vermelho e Senador Modestino, que compõem o Circuito dos Diamantes.
Fonte: Elis Ferrante, Sites da Agência Minas e Secretaria de Turismo de MG. Crédito das fotos: Elis Ferrante, Cléa Venina.A que mostra o capim dourado em feira é do Blog da BQ

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